Como anda a sua auto-estima? Assistindo a uma palestra sobre educação, o grupo discutia o papel da família em incentivar a leitura, o estudo de idiomas e mais ainda, educar pelo exemplo. Muito mais que freqüentar boas escolas, falávamos na importância em fazer parte de um meio familiar que incentiva o jovem a questionar comportamentos, e sentir-se seguro para fazê-lo. Falávamos também sobre oportunidades no mercado de trabalho, e o que fazer com jovens carentes que também querem fazer parte desse mercado, têm a mesma capacidade para enfrentá-lo, mas não as mesmas oportunidades. Nesse momento, comecei a refletir sobre quantas vezes nossos projetos não são bem-sucedidos, e quantas vezes tentamos fazer com que eles aconteçam, não desistimos, adequamos sonhos à realidade, até que eles se transformem em tal. Eu pergunto a você, leitor, o que há entre o sucesso e o fracasso? A resposta pode ser a auto-estima, o quanto você se ama a ponto de defender uma idéia até que ela aconteça, e não desistir na primeira crítica negativa. Penso em equipes e empresas que são prejudicadas em projetos, vítimas de dirigentes que não mantêm um clima seguro para que seus colaboradores se expressem. Não há desenvolvimento e todos perdem: a empresa, colaboradores, família, comunidade. Não há criatividade que resista. Insatisfeita com essa perspectiva quis ir mais fundo no insight e conversei com Karim Khoury, autor do livro “Com a Corda Toda – Auto-estima e qualidade de vida”, já em sua quarta edição. Falamos sobre o clima de insegurança que ronda os ambientes de trabalho, e o quanto equipes e empresas são prejudicadas quando não há espaço para a criatividade, ou novas idéias que agreguem um diferencial a produtos e conceitos. O consultor afirma que o profissional com boa auto-estima tem uma auto-avaliação favorável e realista de si mesmo, tem noção de suas limitações, e está disposto a trabalhar os pontos desfavoráveis melhorando o autoconceito dele e o relacionamento com o outro: “Pessoas com elevado conceito de si mesmas comunicam-se melhor e, conseqüentemente, obtêm a colaboração do outro de uma maneira mais eficiente. Uma das habilidades na comunicação é a de fazer crítica construtiva, não transformá-la em pessoal, mas adequá-la ao trabalho”. Isto vale para líderes e liderados. Empresas que buscam mudança de paradigma e que precisam que suas equipes acompanhem a velocidade do mercado devem estar atentas ao conceito que seus colaboradores fazem de si mesmos enquanto parte desse processo, o conceito que têm sobre o trabalho desenvolvido, e o quanto o ambiente promove o debate de idéias, o questionamento constante de métodos e oportunidades. É um desafio para empresas, afirma Karim Khoury. Insisto que idéias, projetos e conceitos bem-sucedidos são fruto da auto-estima bem trabalhada, consciente de erros e acertos. Auto-estima implica em amar-se sem limites, expor idéias e estar pronto para aceitar críticas positivas e negativas. É aprimorar-se mesmo frente as piores opiniões que possam surgir. Gostar-se significa conseguir extrair dos momentos ruins a motivação para melhorar ainda mais o processo criativo. Como conhecer a luz sem que haja a escuridão? Como pensar em novos conceitos sem estarmos insatisfeitos com antigos padrões, velhos produtos, idéias arcaicas? Nosso crescimento está sempre alicerçado em questionamentos e insatisfações, mesmo que o processo não seja consciente. Talvez apostar na observação e estudo de equipes bem-sucedidas, conhecer e estudar cases de sucesso seja um rumo para conhecermos o perfil de equipes que desenvolvam um bom relacionamento de trabalho e um total comprometimento com o crescimento da equipe. O sucesso pode e deve ser do todo, sem deixar de ser individual.
Lia
Habib escreve para "Profissional & Negócios". Edição 94 / Ano9 |