Lia Habib >>> Jornalista: Profissão Mulher

O abraço

As festas de final de ano já são passado. Esta última confraternização foi diferente. Encontrei os mesmos amigos, mas o olhar foi diferente. Não sei explicar como ou por quê, mas tenho essa impressão que me acompanha. Já não via alguns conhecidos há três anos ou mais. Talvez por conta de uma parte do caminho retomado. Essas pessoas com as quais tive o prazer do reencontro me receberam de braços abertos, na verdade, de abraços abertos. Essas lembranças provocaram algumas reflexões que se acentuaram no que chamamos de final de ano. Mas, o que é final do ano? Estamos engajados em um sistema de tempo e espaço que aceitamos como real, mas que talvez não o seja. Nosso calendário mantém uma data para iniciarmos um novo ano, novos projetos, novos amigos.  Aquelas promessas que nem sempre cumprimos como a dieta, um amor de verdade, aquele curso. Mas quem disse que não podemos começar tudo isso em qualquer mês do ano?

Também nos disseram que Natal é mês de comprar presente para aquele parente desagradável que aparece na festa só para beber o valioso vinho que você guardou o ano inteiro para uma comemoração especial. E se todas essas datas estiverem completamente erradas? O que nós teríamos para comemorar? Celebraríamos o ano inteiro! Criaríamos as nossas datas especiais. Lançaríamos novos padrões de comportamento de acordo com a necessidade de nossos clientes. As datas e ritmos se adaptariam as necessidades dos grupos de consumo. Não empurraríamos a vida com a barriga para o próximo ano, próximo Natal, próximo aniversário.

Neste final de ano, percebi a magia entre os diferentes ambientes com os quais convivi no mês de dezembro. Lançamentos de livros, palestras, premiações, confraternizações, família, aeroportos, hotéis, restaurantes. E a imagem mais forte impressa em minhas lembranças foram os abraços. Os mais sinceros e calorosos abraços dos quais tenho recordação. Confesso que me emocionei ao observar uma família reunida no saguão de um hotel. Todos impecavelmente arrumados para uma festa, aguardando o transporte para o grupo, mas que ao deixarem seus quartos se abraçavam e beijavam como se não se encontrassem há séculos. Emocionante observar as torcidas no Top of Mind- Fornecedores de RH, principalmente quando se está no camarote com visão total que me permitiu detalhes, e presenciar mais abraços calorosos, aqueles recheados de intenção pura e verdadeira. Abraços que compartilham com o outro o prazer de dividir o mesmo batimento cardíaco. Abraço que você não esquece!

Abraço e afeto não precisam de fim de ano para aparecer. O abraço cria laços, é uma linguagem de amizade e, mais incrível ainda, faz bem a saúde. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, apontou que o abraço eleva os níveis do hormônio oxitocina e reduz a pressão sanguínea, o que leva a proteger o organismo contra futuras doenças cardiovasculares. Esse hormônio é produzido pela hipófise posterior e tem a função de promover as contrações uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação. Além disso, bloqueia os hormônios que produzem o estresse e estimula a geração da confiança. É também o hormônio da união, da ternura.

Abraçar é um gesto de carinho e de afetividade e faz muito bem ao corpo e a alma. Abraçar é externar a afeição, a amizade. É a expressão mais sincera de nossos sentimentos. Um abraço melhora a auto-estima, o humor, o relacionamento, a proximidade e é um sinal de sinceridade. Faz bem a quem recebe e a quem externa a emoção.

Há também o abraço salvador. Uma matéria que circula na Internet e que se refere à sobrevivência de gêmeas prematuras que, após nascerem, permaneceram em incubadoras separadas. Uma delas não tinha esperança de vida, e a chefe das enfermeiras decidiu contrariar as regras do hospital e deixar as gêmeas juntas. O bebê que estava bem abraçou a irmãzinha doente, e graças a sua proximidade, ajudou a regular com o calor do seu corpo, a temperatura e os batimentos cardíacos da irmã, e ela sobreviveu.  
Então abrace! Não é preciso esperar o ano, o aniversário, o projeto que deu certo, o casamento marcado, o novo trabalho, a carreira, a viagem. Não há contra indicação. O abraço é a dose certa para muitos descompassos!  

 

Lia Habib escreve para "Profissional & Negócios". Edição 94 / Ano9
Site da revista: www.rhcentral.com.br