Quem eu sou e o que eu quero da vida? Por Lia Habib Nós mulheres temos muito a comemorar. Somos empresárias, executivas, estudantes, mães, esposas, amantes, e muito mais! Será que nos satisfazemos com tudo o que conquistamos? Claro que não! Porque não aproveitamos em nosso benefício toda essa revolução. Somos prisioneiras de nossas conquistas. Não fazemos bom uso de nossa liberdade sexual. Somos livres para escolher nossos parceiros, para casar e descasar. Mas muitas mulheres estão sozinhas, ou têm relacionamentos ocasionais. Muitas abdicaram da maternidade e priorizaram a carreira. Nosso comportamento então nem se fala. Considero válido ter adotado uma postura nada flexível para demonstrar competência em terreno masculino, mas isso é passado, e está mais do que na hora de nos reconhecerem como profissionais, já que não é uma questão de gênero. Incomoda mesmo é perceber mulher que discrimina mulher quando o assunto é desenvolvimento de carreira. Na verdade, deveríamos nos ajudar, principalmente quando ocupamos postos de liderança. Maria Fernanda Teixeira foge a essa regra. A vice-presidente de operações da EDS para a América Latina e presidente do Grupo Executivas de São Paulo (mais informações sobre o grupo na pág. 61) promoveu em Toronto, no Canadá, o EDS Women’s Symposium, iniciativa que reuniu executivas da empresa provenientes de diversas localidades. O evento abordou a diversidade e a criação de estratégias para aumentar o número de mulheres na EDS, sempre delineando um plano de carreira. A exposição da executiva abordou a importância de dedicar tempo e energia para desenvolver o networking, o que a levou a repetir a apresentação para atender a todas as inscritas. Maria Fernanda frisou que a EDS oferece amplas oportunidades por ser uma empresa de tecnologia, e que a chave para o desenvolvimento da carreira é estar preparada para tal. Ela afirma que a mulher precisa ser firme ao expressar suas aspirações de crescimento nas empresas: “Geralmente elas esperam por um reconhecimento do trabalho, ao contrário do que os homens fazem”. Maria Fernanda considera que essa não é uma postura correta, pelo contrário, que é preciso investir no desenvolvimento profissional, procurando ajuda nos serviços de coaching e mentoring. O evento aconteceu em novembro de 2005, mas já é certo que continuará anualmente em diferentes localidades. Oportunidades pela competência e liderança. Esse tema deve ser debatido a exaustão. Mas precisamos antes de tudo entender quem somos e o que queremos. Com certeza, não queremos só trabalho, mas também amor e cumplicidade. A americana Betty Friedan, ícone do feminismo nos anos 60 e 70, pregava que a mulher não podia ser definida só por suas funções biológicas, mas insistia que os homens deveriam ser aceitos como aliados, e a família não devia ser rejeitada: “Uma mulher deve ser capaz de perguntar, sem sentir-se culpada, ‘quem eu sou e o que eu quero da vida?’ Ela não deve se sentir egoísta ou neurótica por ter objetivos próprios além do marido e dos filhos”. Como não há certo ou errado, nosso grande momento é escolher sem culpa o melhor caminho a seguir, ou até todos os caminhos ao mesmo tempo. Isso vale também para os homens, nossos parceiros na jornada em que ambos são aprendizes. Ouvi de um executivo que a mulher, muitas vezes, abdica de um posto de comando para ter mais tempo para a família. Não concordo com essa afirmação. Não se desisti do que não se conhece. Como dizer que não se quer o que não se experimentou. Esse direito não pode e não deve ser desprezado. Muitas mulheres desistem sim, mas é por pressão no trabalho. Enquanto esse comentário for ouvido, é porque ainda não adquirimos direitos iguais para todos nós, mulheres e homens.
Lia
Habib escreve para "Profissional & Negócios". Edição 95 / Ano9 |