Lia Habib >>> Jornalista: Profissão Mulher

e-Learning Brasil – Congresso 2005
Entrevista com Francisco Antonio Soeltl – CEO MicroPower

Sempre é um prazer estar envolvida em ambientes de cultura e aprendizado. Participar do Congresso e-Learning Brasil 2005 é um desses momentos. Desenvolvido pela MicroPower em sua quinta edição, o congresso foi idealizado em 2000 quando a demanda no mercado brasileiro crescia e os envolvidos estavam em uma busca frenética por informação e mais ainda por troca de experiências. Também parte do congresso deste ano foi realizado o Fit Educacional - Fórum Internacional de Tecnologia aplicada à Educação, que em sua primeira edição acompanha a demanda de participação da área acadêmica no e-learning. Palestrantes nacionais e internacionais discutiram processos assertivos em que a tecnologia auxilia o processo de ensino e aprendizado e o que pode ser utilizado em nossa cultura e ambiente.
A novidade para o e-learning apresentada este ano é a crescente demanda pela contextualização do ensino, a importância em adaptarmos processos de aprendizado às diversas culturas que encontramos em um país como o Brasil, o que também se estende aos ambientes das empresas. Essa preocupação exige um processo ainda mais criativo por parte de quem contrata o desenvolvimento do ensino através do e-learning, assim como a empresa que o desenvolve, adaptando a tecnologia e o conteúdo dos cursos às diferentes necessidades dos grupos de trabalho. Esse tema tem sido discutido no congresso há três anos. O contexto do ensino chega a ser mais importante do que o conteúdo que será aplicado ao curso. É imprescindível que esse conteúdo faça parte do dia-a-dia dos envolvidos no aprendizado e que os colaboradores façam uma analogia do conteúdo com o trabalho. O processo deve sempre partir do princípio de que é desenvolvido para pessoas e suas necessidades individuais em adquirir novas competências, o que vem se traduzindo em projetos ainda mais audaciosos, o que chamamos de “my e-Learning” – “meu aprendizado”, que compreende o perfil e as necessidades individuais em adquirir conhecimento.
Um projeto bastante ilustrativo foi desenvolvido para a DirecTV, especificamente para instaladores de antena. Para esse produto, a equipe da MicroPower participou de cursos presenciais na empresa, conversou com os envolvidos para conhecer quais os temas preferidos nas conversas durante os intervalos do curso. O preferido era o futebol. O conteúdo técnico do curso foi então desenvolvido com a linguagem desse esporte. “Antenor”, um personagem que já existia nas apostilas dos cursos desenvolvidos pela empresa, ganhou vida com a tecnologia, transformando-se em um personagem animado que interagia com os colaboradores. É importante ressaltar que todo esse novo processo de transformar cursos presenciais em produtos oferecidos com os recursos da tecnologia requer o trabalho do pedagogo – o de contextualizar a mensagem para que ela seja clara, didática e atinja seu objetivo: o aprendizado.
O mais interessante em participar dos encontros e palestras durante o evento é perceber o quanto as empresas estão estimuladas a melhorar o nível cultural de seus colaboradores, desenvolvendo competências e promovendo aprendizado, sem deixar de estabelecer metas e resultados, alinhando o investimento aos objetivos de negócio da empresa, tais como o lançamento de novos produtos, o aumento das vendas, ou melhorar a satisfação do cliente. Afinal, o resultado esperado é sempre adquirir uma competência e utilizá-la como diferencial. Uma das grandes vantagens do e-learning é promover o aprendizado de muitas pessoas ao mesmo tempo, com mais velocidade, a um custo muito menor do que o despendido com cursos presenciais. Todas essas qualidades aliadas ao gerenciamento de resultados tornam possível mensurar a qualidade e quantidade de aprendizado adquirido através dos cursos, assim como o reflexo desse resultado no aumento do índice de vendas ou o relacionamento com o cliente. A tecnologia e o e-learning propiciam hoje a oportunidade de capacitação a milhares de pessoas que não teriam a possibilidade de ausentar-se de suas tarefas diárias devido à natureza do próprio trabalho, ou a condição financeira de fazê-lo sem o apoio da empresa.
Fazer e-learnig é muito mais que aplicar apenas a tecnologia, é entender o negócio, administrar as necessidades da empresa e direcionar a força de trabalho com um objetivo em comum - a produtividade. Através do prêmio e-Learning Brasil, que acontece todos os anos durante o congresso, constatou-se que 50% do número de horas de treinamento nas empresas envolvidas é dedicado ao ensino virtual. Melhor ainda é constatar que o investimento em cursos presenciais continua ativo. Um número muito maior de pessoas é atendido com a possibilidade de educação, e o investimento das empresas mais bem aproveitado.
Apostar em educação não deve ser computado nas empresas como mais um investimento, mas um diferencial que atrai e mantém o capital humano. Salário não retém pessoas. O desafio atrai talentos!

Lia Habib escreve para "Profissional & Negócios". Agosto/05
Site da revista: www.rhcentral.com.br